
Respeito e Amizade: atividade gratuita
A escola é um espaço de aprendizagem, mas também é um dos primeiros ambientes em que as crianças convivem diariamente com pessoas que possuem diferentes histórias, características, costumes e condições de vida. Por isso, ensinar respeito e amizade é tão importante quanto ensinar os conteúdos curriculares.
Respeitar alguém significa reconhecer que todas as pessoas têm valor e merecem ser tratadas com dignidade. Esse respeito não pode depender da aparência, da cor da pele, do tipo de cabelo, da roupa, do lugar onde a pessoa mora, de sua posição social ou de qualquer outra característica.
O material gratuito “Respeito e Amizade” foi preparado para ajudar professores de turmas do 3º ao 5º ano a desenvolver esse tema de maneira acolhedora, reflexiva e adequada à faixa etária.
Respeitar as diferenças também se aprende
As crianças percebem as diferenças desde cedo. Elas observam os tons de pele, os cabelos, as características do corpo, os modos de falar, as roupas, as famílias e as condições de vida. O problema não está em perceber que as pessoas são diferentes. A dificuldade aparece quando uma dessas diferenças é utilizada para diminuir, excluir, ridicularizar ou desrespeitar alguém.
Comentários sobre o cabelo de uma criança, apelidos relacionados à cor da pele, piadas sobre a aparência ou provocações por causa da roupa e da condição financeira não devem ser tratados como brincadeiras sem importância. Essas atitudes podem causar sofrimento, insegurança, isolamento e a sensação de não pertencimento.
A escola precisa ajudar os alunos a compreender que nenhuma característica torna uma pessoa melhor ou pior do que outra. As diferenças fazem parte da sociedade e ampliam nossas possibilidades de aprender, conviver e conhecer outras formas de enxergar o mundo.
Essa proposta está relacionada à Competência Geral 9 da BNCC, que orienta o desenvolvimento da empatia, do diálogo, da cooperação e do respeito aos direitos humanos, valorizando a diversidade e combatendo preconceitos.
O que são atitudes antirracistas?
Trabalhar o respeito também exige falar sobre o racismo de forma clara e responsável. Uma educação antirracista não se limita a ensinar que “somos todos iguais”. Ela reconhece que o racismo existe, provoca desigualdades e pode aparecer em palavras, brincadeiras, escolhas, imagens, apelidos, exclusões e expectativas diferentes em relação às pessoas negras.
Ser antirracista significa não permanecer em silêncio diante dessas situações. É identificar o preconceito, interromper a ofensa, acolher a pessoa que foi atingida e buscar a orientação de um adulto responsável.
Entre as atitudes antirracistas que podem ser ensinadas às crianças estão:
- não fazer ou repetir piadas sobre a cor da pele e o cabelo;
- não usar apelidos ofensivos;
- não excluir um colega das brincadeiras;
- valorizar diferentes tons de pele, cabelos e traços;
- ouvir com respeito quando alguém relata uma situação de racismo;
- procurar um professor ou outro adulto quando ocorrer uma ofensa;
- conhecer escritores, cientistas, artistas e personalidades negras;
- reconhecer a importância da cultura africana e afro-brasileira;
- defender o direito de todas as pessoas participarem e serem ouvidas.
O UNICEF alerta que o racismo pode prejudicar o desenvolvimento, a autoestima e a vida social das crianças. Por isso, seu enfrentamento deve envolver a escola, as famílias e toda a sociedade.
Respeito não depende da posição social
A condição financeira de uma família também não pode ser motivo de julgamento. Uma criança não deve ser tratada de maneira diferente porque usa um material escolar mais simples, mora em determinado bairro, não possui um objeto da moda ou não participa de uma atividade que envolva gastos.
É importante ajudar os alunos a perceber que o valor de uma pessoa não está nas coisas que ela possui. Amizade verdadeira envolve acolhimento, confiança, cuidado, solidariedade e respeito.
Durante as conversas, o professor pode apresentar situações fictícias e perguntar: “Como essa criança deve ter se sentido?”, “O que os colegas poderiam fazer?” e “Como seria uma atitude respeitosa?”. Essas perguntas permitem que os estudantes reflitam sem expor experiências pessoais ou constranger algum integrante da turma.
A educação antirracista deve acontecer o ano inteiro
O trabalho com as relações étnico-raciais não deve ficar restrito ao Dia da Consciência Negra ou a uma atividade isolada. Ele precisa estar presente nas escolhas de livros, histórias, cartazes, brinquedos, imagens, exemplos e personalidades apresentados durante todo o ano letivo.
A Lei nº 10.639/2003 incluiu na educação brasileira a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Posteriormente, a Lei nº 11.645/2008 ampliou essa orientação, incluindo também a História e a Cultura Indígena.
Além de estudar acontecimentos históricos, é necessário apresentar pessoas negras em diferentes profissões, espaços sociais e posições de protagonismo. As crianças precisam encontrar representações positivas que contribuam para a construção da identidade, da autoestima e do sentimento de pertencimento.
Como utilizar o material “Respeito e Amizade”
A atividade pode começar com a observação coletiva do cartaz. Antes da leitura, peça aos alunos que contém o que perceberam na imagem: quem são os personagens, o que estão fazendo, como parecem estar se sentindo e quais elementos representam união.
Depois, realize a leitura do título e da mensagem “Todo mundo tem lugar!”. Converse sobre o significado da frase e pergunte se ter lugar significa apenas ocupar um espaço físico. Ajude a turma a perceber que “ter lugar” também significa ser acolhido, participar, falar, brincar, aprender e ter suas características respeitadas.
Na atividade escrita, os alunos observam o cartaz, identificam as atitudes de amizade representadas e explicam a mensagem principal. Também são convidados a produzir uma nova frase para o cartaz, desenvolvendo leitura, interpretação, escrita e reflexão sobre a convivência.
O material pode ser utilizado individualmente, em duplas ou em grupos. Após a realização das questões, organize uma roda de conversa para que os estudantes compartilhem suas respostas. Nesse momento, destaque que opiniões diferentes podem ser apresentadas com respeito.
A turma também pode produzir um pequeno acordo de convivência com atitudes como ouvir sem interromper, não usar apelidos ofensivos, incluir os colegas, respeitar as características de cada pessoa e procurar ajuda quando presenciar uma injustiça.
Sobre o arquivo gratuito – Respeito e Amizade
O arquivo “Respeito e Amizade” é indicado para turmas do 3º ao 5º ano e inclui atividade de leitura e interpretação, versão colorida e em preto e branco, gabarito, cartaz A4 e painel ampliado.
O material é gratuito e foi criado para apoiar o trabalho dos professores. Para que o site continue disponibilizando arquivos grátis, a colaboração de todos é fundamental.
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Você pode imprimir o material para utilizar com seus alunos, mas, ao recomendar para outra pessoa, envie o link. Esse gesto simples respeita a autoria e ajuda a manter o projeto de arquivos gratuitos.
Que esta atividade seja o início de muitas conversas importantes. Quando ensinamos uma criança a acolher as diferenças, enfrentar o preconceito e não se calar diante de uma injustiça, estamos contribuindo para uma escola mais segura, humana, democrática e verdadeiramente antirracista.
Baixe gratuitamente, utilize com sua turma e compartilhe o link do site com outros professores. Respeito e amizade se aprendem na prática — e todo mundo tem lugar!
Betânia Maximiano
Amostra do arquivo Respeito e Amizade

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